Estudos Miguelistas: José de Gama e Castro e a restauração das Verdades esquecidas

Introdução

Depois de mostrarmos o que disse a Igreja sobre a revolução francesa e os princípios liberais naquele tempo, achamos ser do interesse de todos aprofundar um pouco este tema. Para isso, trazemos hoje a visão de um tradicionalista- José de Gama e Castro. Miguelista convicto, escreveu um jornal em defesa da causa Miguelista e o seu livro "O Novo Príncipe ou o Espirito dos Governos Monárquicos" (donde serão tirados os textos). Naturalmente há problemas nas suas visões, mas traremos aqui aquilo que acharmos pertinente. 

O livro já é antigo e por isso tem uma ortografia muito diferente. No entanto, para facilitar a leitura ao leitor pouco habituado, decidimos mudar os textos para uma ortografia moderna. Também alteramos a ordem dos temas tratados no livro quando assim foi desejável. 

Desejo de fazer o bem de restaurar verdades já velhas

A primeira nota interessante vem logo no prefácio. Não é raro que na política as pessoas sejam dominadas por um ódio, um sentimentalismo, uma raiva contra algo. Em todo o lado pode isso acontecer, em todas as facções políticas. No entanto, nós somos católicos, e devemos poder dizer como o autor, que o que nos move é "o desejo sincero de fazer o bem (...) ao ver sofismadas ou esquecidas muitas verdades essenciais ou importantes".

O autor então explica como foi perseguido por "ter proclamado à face de toda a Beira os direitos do legítimo soberano dos portugueses, que, por singular disposição da providência, eram ao mesmo tempo os da religião e os do estado." (a defesa do Rei Dom Miguel, legitimo soberano, correspondia a uma luta mais profunda pelos direitos da religião e do estado contra os liberais).

Deixemos essa maluquice de que o tempo é uma medida do Bem e do mal, de que a história evolui sempre e de que tudo o que é moderno é bom. O mundo tanto pode evoluir como regredir. Com isso em mente, essa é a proposta do autor com o livro: "a restauração de algumas verdades já velhas", "sofismadas ou esquecidas", mas "essenciais". 

Da política histórica 

Este primeiro tópico é uma visão basilar contrarrevolucionaria, e por isso decidimos começar por aqui. 

"Há dois sistemas opostos de política, cada um dos quais tem atualmente grande número de seguidores: a política histórica e a política racional. A primeira deduz-se dos factos, a segunda funda-se na teoria: uma é a política da experiência, a outra a da razão. 

Pensou-se por um largo tempo que a longa duração de um certo estado de coisas era argumento seguro da utilidade da sua conservação, e que o perigo da mudança era tanto mais de temer quanto mais extenso tinha sido o período da duração antecedente (…)

Atualmente, porém, discorre-se de maneira muito diversa. (…) Diz-se que não deve tratar-se de que as coisas sejam como são, mas de que sejam como devera ser, que pouco importa arriscar o suportável, e ainda mesmo o bom, quando se pode aspirar ao melhor, e talvez mesmo ao ótimo. Desde que o espirito humano tomou por este caminho, nunca mais achou onde parar. As utopias sucederam-se às utopias, as reformas foram reformadas pelas reformas, e a imaginação, transportada para um campo de hipóteses sem horizonte, não encontrou em todo ele um único ponto para descansar. (…)

Decidir qual dos dois sistemas é o melhor, não é um problema muito fácil de resolver. O partido conservativo acusar o do movimento de anarquista; este ultimo chama retrógrado ao primeiro. Se, por um lado, é inegável que o partido do movimento se tem colocado tantas vezes nas circunstâncias do cão da fabula que, para apanhar o pedaço de carne que via representado no rio, deixou cair o que tinha na boca e ficou sem um nem outro, também não se pode por em duvida que, renunciar a toda a ideia de movimento, é o mesmo que renunciar ao dom de perfetibilidade que de todos os atributos da espécie humana é o mais belo: que com tais princípios nunca a Rússia teria saído do estado de barbaridade de que Pedro I a fez sair; que os selvagens da América devem continuar a devorar eternamente os seus prisioneiros; que o comércio da escravatura nunca deve ter fim nas Costas d' Africa.

Afim de poder conciliar todas estas dificuldades, é preciso estabelecer três princípios que uma vez ou outra têm sido admitidos nacionalmente (…). Estes três principies são os seguintes: 
1. Que as grandes massas de homens constituídos em sociedade gozam da propriedade inata de se colocarem pouco e pouco, por si mesmas e sem impulso alheio, na posição politica que mais convém às suas circunstâncias particulares;
2. Que esta posição, por elas espontaneamente tomadas, é o centro politico em que cada nação deve recair infalivelmente, todas as vezes que dele for apartada com violência; 
3. Que as constituições, e em geral todas as leis, em lugar de fazerem ou criarem as relações dos indivíduos associados, não devem ser outra coisa senão meras e puras declarações de relações já formadas, ou dos direitos preexistentes, pouco mais ou menos (se a comparação é licita) como a gramática de uma língua não faz a língua, mas explica as regras, já preexistentes, da língua. (…)

Se acontecer o contrario, isto é, se os legisladores em lugar de examinarem as relações sociais que já existem, quiserem estabelecer outras de novo, então a constituição é artificial e forçada — as leis estarão em contradição com os hábitos e tendências do povo — a nova posição é violenta, e a desgraça é certa.

As consequências seguintes que se deduzem espontaneamente dos princípios que ficam estabelecidos, resolvem todas as dificuldades possíveis.
I. A constituição de uma nação não faz a posição politica dessa nação, explica-a.
II. Para que a posição politica, tomada por uma nação qualquer, seja suscetível de mudança, é necessário que as circunstâncias dessa nação tenham primeiramente mudado.
III. O modo de conhecer que a mudança introduzida é compatível com a felicidade e com as circunstâncias da nação, é vendo se ela se sustenta por si mesma, e sem o auxílio de violência ou coação.

IV. Porém, se a historia mostrar, e, por mais forte razão se a historia tiver já mostrado que, depois da mudança introduzida, a nação recaio por si mesma no estado antecedente, é preciso considerar esse estado como o centro político dessa nação, o qual pode talvez modificar-se ligeiramente, mas que não é suscetível de mudança essencial. Por mais absurdo que um tal estado de coisas possa parecer, é força considera-lo como o melhor— resistir a todas as tentações do partido do movimento — respeitar a sua conservação e dizer dele como Sólon dizia dos Atenienses; «As leis que eu lhes dei, não são, talvez, as melhores possíveis, mas são as únicas que as suas atuais circunstâncias podem admitir.» (…)

Discorrendo do mesmo modo pode-se provar que o absolutismo é o centro político de Portugal e Espanha. (…)

É a isto que eu dou o nome de política histórica; e é com efeito o único sistema de política de que podem espera-se resultados vantajosos na prática."

Este texto corresponde ao princípio de António Sardinha de que a tradição não é algo estático, mas a força e a base do movimento de uma nação e de um povo. Não é, claro, aceitar as utopias racionalistas (alias, as condenações a esses sonhos são claras), mas também não aceitar um estagnatismo. Diríamos que é reconhecer que os princípios da tradição e da religião devem ser a força que move a nação, e condenar, claro, o movimento que tenha outra força que não essa ou que vá contra esses dois princípios fundamentais da nação. Ao contrário do que se diz, não recusamos toda a mudança, só recusamos a mudança no sentido errado. Mudar por mudar ou para destruir aquilo que já foi construído em nome de sonhos inalcançáveis  (o que hoje dão o nome de progressismo e que iremos analisar).

Progresso

"Pretende-se que o caracter das instituições deve dizer com o espirito do século; e partindo de uma ideia tão vaga, por mais extravagante e ruinosa que seja qualquer mudança que se projete, se lhe chamando progresso, eis ai não somente explicada, se não ainda legitimada, e até mesmo santificada. Assim, quando uma fação essencialmente revolucionaria, e em todo o caso altamente imoral, destruiu a venerável constituição, por que nossos avós tinham sido tão grandes e tão temidos no mundo, e a substituiu por aquela que está hoje fazendo a miséria e a desgraça da monarquia, apelou-se para o espirito do século, e disse-se que isso era progresso, quando nas cortes de 1835 se propôs a abolição do celibato eclesiástico, a espoliação absoluta do clero, e o estabelecimento de uma igreja lusitana independente de Roma, chamou-se a isso progresso; e agora que se trata de fazer de Portugal uma província de Espanha, a título de não sei que federação de republicas, chamada Estados Unidos Peninsulares, chama-se também a isto progresso."

E conclui: "No regresso ao estado donde se tinha saído, consiste o único progresso admissível". Se não são semelhantes estas palavras àquelas que o Papa Leão XIII diria anos mais tarde como já vimos aqui… 

Achamos pertinente, a fim de completar um pouco este tópico, expor uns pensamentos do G.K. Chesterton sobre o progresso:

"O progresso, devidamente compreendido, tem, de fato, um significado muito digno e legítimo. Mas, se usado em contraposição a ideais morais definidos, torna-se absurdo. (…) Ninguém pode usar a palavra “progresso” a menos que tenha um credo definido e um rígido código moral. Ninguém pode ser progressista sem ser doutrinal (…).Pois o progresso, pelo próprio nome, indica uma direção; e no momento em que temos a mais ínfima dúvida sobre qual direção tomar, ficamos, da mesma forma, em dúvida sobre o progresso. Talvez, desde o começo do mundo, nunca tenha havido um período com menos direito de usar a palavra “progresso” do que o nosso. No católico século XII, no filosófico século XVIII, a direção pode ter sido boa ou má, os homens podem ter discordado mais ou menos a respeito do quanto progrediram, e em qual direção, mas, no geral, concordavam a respeito da direção tomada, e, consequentemente, tinham a genuína sensação de progresso. Todavia, hoje discordamos exatamente sobre a direção. Se a futura excelência reside em ter mais ou menos leis, em ter mais ou menos liberdade; se a propriedade será finalmente concentrada ou finalmente dividida; se a paixão sexual alcançará um patamar saudável num intelectualismo quase virgem ou numa completa liberdade animal; se devemos amar a todos com Tolstói ou se não devemos poupar ninguém como Nietzsche; – é a respeito dessas coisas que lutamos hoje em dia. Não só é verdade que a época que menos determinou o que é o progresso seja a mais “progressista” das épocas, como, aliás, é verdadeiro que o povo que menos estabeleceu o que é o progresso seja o povo mais “progressista” (…). Os indivíduos particulares que falam sobre o progresso correriam para os quatro cantos do mundo quando o disparo do tiro assinalasse o começo da corrida. Não digo, portanto, que a palavra “progresso” não tenha significado; digo que não tem significado sem a definição prévia de uma doutrina moral, e que tal definição só pode ser aplicada a grupos de pessoas que mantenham uma doutrina comum. O progresso não é uma palavra ilegítima, mas parece ser logicamente evidente que é ilegítima para nós. É uma palavra sagrada, uma palavra que só poderia ser usada acertadamente pelos crentes fervorosos e nas eras de fé." (do livro Hereges).

Ou seja, o progresso em si não pode ser um ideal. O progresso pressupõe uma direção, e essa é que determina se o progresso é bom ou mau. Não é só porque algo mudou que mudou para bem e nos temos de conformar a isso. A mudança pode ser no sentido da destruição ou do aperfeiçoamento. No entanto, hoje existe uma idolatria pela mudança em si, como se isso por si só fosse bom. Não podemos deixar de levantar a bandeira dos princípios e dizer: se for nesta direção, terão o nosso apoio, se for na direção oposta, terão a nossa condenação.

Liberdade e igualdade

O progresso é normalmente em nome da liberdade, da igualdade ou de alguma derivação destes. Então analisemos aqui esse tópico.

Primeiramente, seguindo a norma que já citamos, noutro artigo, do José Hermano Saraiva, usemos os termos de forma precisa. O que é a liberdade? "Chama-se liberdade à faculdade que cada homem tem de pôr em ação todas as suas vontades". 

O primeiro ponto que o autor faz sobre a liberdade é este: "a liberdade é um meio, e não um fim". Um meio para quê? "Para que os homens sejam felizes". Segue por consequência que, "se se vier a provar que o meio não corresponde ao fim, é preciso rejeita-lo como inútil".
Depois de mostrar como, quando vários indivíduos estão juntos, as diferentes liberdades entram em confronto, o autor concluí: "as duas ideias de sociedade e liberdade (tomada no seu sentido absoluto) são contraditórias". 

Esta liberdade, segundo o autor, é consequência da igualdade que pretendem estabelecer na sociedade (já que se todos somos iguais, ninguém pode limitar a liberdade de ninguém). No entanto, também esta igualdade é contraditória com a sociedade, já que para o bem da sociedade "cumpre que todos os membros da sociedade resignem uma parte dos
seus direitos nas mãos de quem os administre e exercite para benefício de todos. E a diferença entre quem julga e quem é julgado estabelece uma desigualdade essencial entre os primeiros e os segundos" Segue-se que "se, depois da sociedade constituída, os indivíduos que a compõem pretenderem revindicar os direitos que tinham resignado, o exercício desta pretensão chama-se uma revolução; e o seu resultado, consistindo no restabelecimento da liberdade e igualdade primitivas, deve produzir a dissolução da sociedade pelas razões que acima ficam expostas. Logo, toda a revolução que tiver por objeto o restabelecimento dos primitivos direitos do homem é essencialmente absurda ou impossível."

Certamente há liberdades igualdades legítimas, nunca a Igreja deixou de defender isso. O que negamos é que sejam valores absolutos, que a liberdade e a igualdade não possam ser limitados de forma nenhuma. Podem, sim, ser limitados por vários motivos, como a justiça, a Verdade, etc. 

O grande problema é que "confundem o homem da natureza (os contratualistas acham que o homem teve uma época em que viveu sem sociedade- homem da natureza- e depois aceitou, para seu beneficio, criar a sociedade- naturalmente é uma tese errada- e o próprio autor falará disso mais tarde- mas aqui o autor coloca-se no ponto de vista de quem defende o liberalismo, que são, maioritariamente, contratualistas) com o homem da sociedade, e não refletem que os direitos do primeiro hão de estar sempre em oposição absoluta com os direitos do segundo. E na verdade, a natureza obra sempre segundo o interesse do individuo, as leis socias segundo o interesse da sociedade; a natureza tende a satisfazer todas as vontades do primeiro, as leis sociais a reprimi-las em benefício da sociedade; a natureza a separar, as leis sociais a reunir, por outras palavras: o homem da natureza dirige-se pelas suas inclinações; o homem da sociedade regula-se pelos seus deveres. Logo, querer conciliar direitos individuais e direitos sociais, sem grande e essencial restrição dos primeiros, é um absurdo manifesto, ou antes uma loucura."

Desenvolvamos agora o tema da igualdade. 

É facto sabido que existe uma igualdade justa, sempre foi o ensinamento da Igreja. O Homem nasce com direitos que Deus lhe concede e que por ninguém podem ser violados. O autor resume-os como o direito à conservação, felicidade e inviolabilidade. Do que se segue que ou as desigualdades são tirânicas ou são consequência da igualdade natural. Vejamos o que responde o autor:

"É evidente que cada indivíduo, entrando no exercício dos seus direitos, há de obter um resultado proporcional ao grau de possibilidade de exercita-los que as suas circunstâncias lhe permitirem. Este é forte, aquele é fraco, um é inteligente, outro estúpido, e, em consequência desta diferença, um obterá muito, outro obterá pouco, e outro cousa nenhuma. Eis aqui estabelecida a desigualdade de condições. Mas, não obstante a diferença dos resultados, cada indivíduo continua a gozar dos direitos de que gozava até então, por isso mesmo que são imprescritíveis, e portanto, aquele que adquiriu muito continua a gozar do direito de não ser violado em tudo aquilo que adquiriu, e o que não adquiriu nada, continua a ficar ligado pela obrigação de não violar o que adquirirão os outros. Se assim não fosse, ficaria destruída no mesmo instante a igualdade de direitos, que, como fica exposto, é absoluta e imprescritível, porque um perderia o direito de inviolabilidade, e o outro adquiriria o direito de violar.
Logo, por que todos os indivíduos associados gozam de perfeita igualdade de direitos — por que cada um desses direitos é imprescindível e inalienável, por isso mesmo é que a desigualdade de condições que observamos na sociedade é legítima e justa, e deve ser julgada inviolável."

É de notar claro que como o Bem comum está acima do bem particular, a Igreja sempre ensinou que o direito à propriedade não é absolutamente inviolável. A autoridade civil em nome do bem comum pode por vezes limitar os abusos do uso da propriedade privada. É Doutrina da Igreja que a propriedade privada tem um dever social. Mas é interessante que este tópico dos direitos e deveres de cada um, que gera uma desigualdade legitima, é igualmente doutrina de Leão XIII.

Por último, sobre este tema, deixemos esta reflexão que o autor cita como vindo de uma carta:

"Não sei se a liberdade é um bem: o que sei é que os homens religiosos combatem a liberdade, e que os apóstolos da liberdade atacam a religião. Não sei se a submissão ao governo estabelecido é um mal: o que sei é que os espíritos mais nobres e generosos são os que defendem o dogma da obediência passiva, e que as almas mais baixas e abjetas são as que defendem a independência. Não sei se todos estes projetos de progressismo, agora tanto da moda, são coisa útil: o que sei é que os cidadãos mais prudentes e ilustrados são os que mais se receiam deste progresso, e que os homens sem patriotismo e sem princípios são os que pregão inovações e reformas."

História da civilização 

O autor começa então a tratar do tema do contratualismo e da verdadeira história da civilização. Dois argumentos são usados para mostrar que nunca existiu tal estado de selvajaria onde o homem vivia sozinho sem limites à liberdade: primeiro, o homem ao contrário dos outros animais não tem uma fase de reprodução, mas essa é diariamente e, segundo, o homem, ao contrário dos outros animais, é dependente dos pais por muito tempo. Daqui se segue que a família, a primeira sociedade, sempre existiu. Se sempre existiu, o homem sempre viveu em sociedade, donde se segue que "as relações entre os diferentes membros da sociedade não se fizeram, apareceram já feitas: de uma parte um chefe para governar; da outra membros para obedecer: no primeiro direitos indefinidos; nos outros obrigações determinadas." Disto se conclui que onde existe homem, existe sociedade, e, como já vimos, onde existe sociedade, não pode haver liberdade e igualdade da forma como defendem os liberais. Ainda interessante é que se a natureza foi quem criou a sociedade (já que é das condições naturais do homem que sai a necessidade de sociedade), seria quase ironia dizer que a mesma natureza concedeu ao homem o direito à liberdade e à igualdade. É importante notar que tomamos as palavras liberdade e igualdade no sentido liberal, porque a verdadeira liberdade e igualdade, aquela boa e sadia, a Igreja defende como veremos ao estudar a DSI (Doutrina Social da Igreja).

Outro ponto que o autor faz é sobre a naturalidade da Monarquia:

"É facto incontestável que as primeiras monarquias foram compostas dos filhos de um mesmo pai (…). Mas, sendo isto verdade, quais foram os direitos que estes filhos ou netos renunciaram? Quais as condições que impuseram? É evidente que tanto os direitos dos chefes como as obrigações dos membros nascerão com eles mesmos e nunca tiveram lugar por convenção ou contracto." Estas, a que o autor chama de monarquias familiares, são as primeiras monarquias. Por vezes tomam a forma de clãs ou tribos, mas são algo real que sabemos que existiu e ainda existe. 

"Podemos portanto concluir que o governo primitivo e natural foi decididamente monárquico; e que as republicas, as democracias, e todas as outras qualidades de governos só apareceram pela destruição das monarquias. O primeiro foi obra da natureza; os últimos foram obra do artifício, ou da usurpação."

As classes sociais

Prosseguindo com a analogia da família, o autor coloca a hipótese em que o chefe de família precisa de mais gente para trabalhar no terreno da família e em troca oferece proteção (assim se formou a nossa nobreza).

"Constituído desta maneira o nosso estado nascente, temos nele três entidades, ou elementos muito distintos e separados: 1° o chefe da família; 2° os filhos; 3° os fâmulos. Os últimos, porém, não tem os mesmos privilégios dos segundos; trabalham para eles, recebem o sustento quotidiano, mas não tem a mais pequena parte na administração do governo. Numa palavra, servem, obedecem, e nada mais. 
Durante a infância do nosso pequeno estado, enquanto existem as mesmas pessoas que o formaram, conservam-se ainda as mesmas denominações primitivas; mas, passados alguns anos, ao primeiro chefe de família sucede outro chefe, aos filhos os seus descendentes, á primeira camada de fâmulos outra camada diferente e muito mais numerosa. Então mudam as denominações: o chefe da família chama-se Rei ou Monarca; os filhos tomam o nome de nobres; e os fâmulos recebem a denominação de plebe, de povo ou de plebeus".

Da vocação da nobreza 

Ao falarmos aqui sobre a formação das classes sociais, aproveitamos para fazer uma pausa para falar sobre a Nobreza. A Nobreza é uma exigência da Monarquia. Há sempre um grupo de pessoas que por virtude própria se eleva acima dos outros e o também Rei precisa de uma classe de gente virtuosa que o auxilie. Assim, a Nobreza forma-se sempre naturalmente no início das Monarquias e a Monarquia não pode existir sem a Nobreza:

"É muito possível que Nobreza exista sem Monarquia, mas não é possível que Monarquia possa subsistir sem Nobreza. Em muitas repúblicas antigas e modernas temos visto subsistir o corpo dos Nobres, ainda mesmo nos Estados puramente democráticos (apesar de que se tornam mais uma oligarquia, por não terem a autoridade do Rei a vira-los para o bem comum), como Lacedemónia e Atenas, ainda não vimos uma só monarquia sem Nobreza, até mesmo a dos Turcos e a dos chineses.

É preciso que haja uma afinidade de intermédio para operar a combinação de dois elementos tão heterogéneos como os súbditos e o soberano; e esta afinidade de intermédio é a Nobreza. Instinto de monarquia a chama inevitavelmente para o trono, donde recebe esplendor e existência espirito de interesse, que é ainda mais forte, a leva a fazer causa comum com o povo, quando se trata de resistir aos excessos da soberania."

É curioso notar que o autor diz que a Nobreza pode subsistir sem a Monarquia. Porquê? Em qualquer regime há uma elite que se coloca acima do resto. Um dos grandes pontos da Monarquia é exatamente esse: quando o regime é, por exemplo, democrático, não há uma autoridade capaz de fazer frente a essa elite porque o poder está muito diluído e dependente (não é uma verdadeira autoridade), o que faz com que o regime se torne uma oligarquia onde a elite toma de assalto o poder e governa para seu proveito (como acontece hoje). No entanto, quando o regime é Monárquico, há uma autoridade capaz de dominar essa elite e que a pode, primeiro, formar (tornando-a numa classe de virtuosos), ou, quando ela degenera (como acontece sempre e o autor próprio assume), tentar sujeitá-la ao Bem Comum e limita-la, como veremos agora. Esse é o ponto forte da Monarquia: uma autoridade capaz de sujeitar todas as forças e poderes dentro de uma nação ao Bem e ao Interesse Comum (e também capaz de resistir ás forças externas).

A luta de classes e a solução monárquica

Prosseguindo com as consequências da existência de classes:

"Os três elementos primitivos do estado continuam a subsistir do mesmo modo, e cada um deles com o caracter que lhe é próprio. (…)
(No entanto), os interesses de cada um dos corpos do estado estão em perpétua oposição uns com os outros. O rei quer reprimir a insolência dos nobres que só desfrutam, e aliviar a condição dos vassalos que só sustentam: os nobres querem emancipar-se da autoridade do rei e oprimir os vassalos: os vassalos querem subtrair-se à oposição dos nobres, e aumentar o seu número para se fazerem mais importantes. (…)
A arte de conservar em equilíbrio as forças opostas dos elementos que o constituem, foi denominada politica." 

O autor traça então um paralelo disto tudo com a história de Roma. À sua formação: "Rómulo põe-se à testa de trezentos aventureiros Italianos e estabelece um asilo junto de Ostia. Todos os vagabundos dos arredores— todos os que em diferentes partes haviam sido proscritos pelos seus crimes, acodem a refugiar-se debaixo do novo asilo, e eis aí o estado Romano organizado. Rómulo é o rei, os seus companheiros os senadores, e os refugiados formão a plebe."

Em seguida, o autor descreve as lutas entre as classes ao longo dos tempos, com os reis a protegerem o povo contra os senadores e a serem mortos pelos mesmos, instaurando a aristocracia (põe fim ao Reino de Roma e estabelece a República Romana). Depois, o povo é oprimido pela aristocracia e através de várias revoltas adquire o direito à terra, a fazer leis… elevam-se acima dos patrícios e estabelecem a democracia. (…) A democracia Romana foi degenerando pouco e pouco em anarquia, até que a autoridade soberana, dividida
em mil parcelas diferentes, e por tanto sem a força, nem a energia da unidade, pôde finalmente ser apanhada por Augusto, que transformou a república em Monarquia que era o ponto por onde o povo Romano havia encetado a sua carreira no caminho da civilização."

O Império e a restauração Monárquica, apesar de só concluídos por Augusto, foram o ideal e o feito de César. César foi o criador, no ocidente, deste ideal Monárquico que guiou a Europa por séculos. É de lembrar que se tomarmos o Império Bizantino como continuador do Império Romano, podemos dizer que César criou uma ordem que durou quase 1400 anos. E que ideal é este? Após séculos de lutas entre a Nobreza e a Plebe, de dissolução da unidade do Império, de decadência da civilização e dos costumes, de um individualismo cada vez mais forte acompanhado do esquecimento daqueles princípios que outrora formaram aquele civilização e levavam o homem a deixar o seu individualismo e defender o bem comum, surge a figura do Imperador que estabelece a Ordem e a Unidade, acaba com a luta de classes através da justiça defendendo os direitos e os deveres de cada um, restaurando os princípios que outrora formaram a civilização. Esse será sempre o ideal Monárquico: a restauração dos Princípios da fundação do Império, da Moral, da Religião, da Tradição; a Ordem, a Autoridade capaz de combater as oligarquias e de defender a Nação e o Bem Comum contra o individualismo dos dissidentes; a Unidade na diversidade dos diferentes grupos naturais e poderes da sociedade (grupos que fazem com que os indivíduos se universalizem, ao contrario de, por exemplo, partidos políticos, que dividem), e do Império como um todo (em espaço e tempo, ou seja, união também com o passado, com a Tradição através da hereditariedade, das Leis Fundamentais do Reino, etc.), em uma palavra, a defesa da civilização e do Bem Comum. Este foi o ideal que guiou Carlos Magno, Justiniano, na nossa pátria o Rei Dom Miguel, e outros grandes Monarcas de verdade.

Em tempos de mentalidade iluminista, coloca-se logo a questão: "mas e se o Rei for um tirano?" O facto é que uma tirania nunca pode ser de uma pessoa só. Ela exige um grupo de pessoas que trabalhem e cooperem nesse mesmo sentido. Se o tirano estiver sozinho, ele não consegue fazer nada. No entanto, no regime tradicional e hierárquico "os interesses de cada um dos corpos do estado estão em perpétua oposição uns com os outros. O rei quer reprimir insolência dos nobres que só desfrutam, e aliviar a condição dos vassalos que só sustentam: os nobres querem emancipar-se da autoridade do rei e oprimir os vassalos: os vassalos querem subtrair-se à oposição dos nobres, e aumentar o seu numero para se fazerem mais importantes", pelo que é muito difícil o Rei conseguir fazer isso. Quando há várias camadas hierárquicas na sociedade, há uma descentralização do poder junto com um conjunto de interesses opostos que tornam difícil a tirania. Já nas democracias modernas, é muito fácil (por isso em tão pouco tempo houve tantas e ainda há). Por dois pontos, primeiro, como não há hierarquia, há um aparato estatal sem limites que pode ser usada para estabelecer a tirania (daí que Bertrand de Jouvenel, nas suas análises sobre o poder, já dizia que a igualdade é a maior amiga da tirania); segundo, nesse aparato estatal que pode ser totalitário, o tirano tem todo um partido disposto a cooperar. Nenhum Rei medieval, nem o mais absolutista, sonhou em ter o poder de um Hitler. Se o Rei não tinha o poder para estabelecer o serviço militar obrigatório, como é que ele ia direcionar um país inteiro para a guerra como Hitler? E o que Hitler fez é possível qualquer democracia moderna fazer hoje.

Constitucionalismo

Seguindo as reflexões Monárquicas, falemos agora do dito constitucionalismo. "Tudo quanto hoje se exige do rei constitucional é que ponha o seu nome em todos os papéis que lhe forem apresentados pelos ministros", assim se apresenta o constitucionalismo numa frase. O problema é que "a constituição é tudo e o rei nada". O espirito e todos os benefícios da monarquia deixam de existir porque o poder deixa de estar numa pessoa e passa a estar em muitas pessoas, como numa democracia. A autoridade deixa de existir e passa a ser simbólica (daí que todos vejam os reis europeus modernos como meros símbolos). E em troca do quê? "A constituição (dizem) prende-lhe inteiramente os braços para fazer mal, mas deixa-lhos completamente desembaraçados para fazer bem. Até quando abusarão os utopistas da credulidade do povo? (…) Sustento e juro que esta felicidade (felicidade do povo) depende incomparavelmente mais do caracter, da índole e das máximas de quem governa, do que da natureza da constituição existente". Em seguida o autor dá uma serie de exemplos de regimes que tinham uma constituição e eram tirânicos. Responderão: "foram outros tempos". Onde esteve a constituição para parar todos os crimes ao longo do século XX? Onde está a constituição para parar todos os crimes cometidos por tantos governantes neste nosso século?

O grande problema, como o autor explica, é algo que as pessoas de hoje, deslumbradas por utopias e desvarios modernos, não entendem: qualquer regime está sujeito à corrupção. Porquê? Todo o regime é administrado por pessoas, e pessoas têm liberdade para fazer o mal. A constituição também é aplicada por pessoas, não é uma solução absoluta. Poder-se-ia afirmar que talvez pudesse aperfeiçoar o regime. Talvez, mas e a que custo? Da soberania do Rei, da unidade do poder, da autoridade, da nação, numa palavra: o fim da Monarquia e tudo aquilo que nos é caro na mesma. A soberania e a autoridade deixa de estar no Rei e é transferida para aqueles encarregados de aplicar a constituição. Como consequência, aquele ideal Monárquico de que falamos já não existe. Augusto só resolveu os problemas de Roma porque era um Rei em sentido estrito e tinha autoridade, o que não acontece nas Monarquias constitucionais e muito menos nas parlamentares.

Que não haja dúvidas: "do caracter do príncipe, das ideias que tiver, das máximas que adotar, depende essencial e principalmente a felicidade dos povos. Se o príncipe é digno de reinar, será o povo feliz, ainda que a constituição seja má; se o soberano é mau, será a nação desgraçada, ainda que a constituição seja boa."

A dita monarquia constitucional é mais democrática do que monárquica, e como tal, não tem os benefícios da monarquia mas tem os defeitos democráticos. Todo o regime se pode corromper, não há como evitar isso. Aquele que é mais perfeito, é aquele que é mais perfeito na sua essência a priori, e essa é a Monarquia (teremos ocasião mais tarde de analisar o porquê).

E porque é tão importante o poder do Rei sobre o estado ser absoluto e autoridade insolúvel? O autor responde:

"O carácter do Absolutismo é a independência (…) E nesta completa independência de todas as autoridades do mundo consiste o motivo secreto por que o rei absoluto está muito mais habilitado para fazer a felicidade do povo do que aquele que o não é. O soberano que é rei pela graça de Deus, como nunca pode ter medo de que lhe tirem a coroa, também nunca pode ter motivo suficiente para resistir aos impulsos benéficos do seu coração, ou para fazer-se surdo ao grito da consciência. Certo da sua sorte futura, será naturalmente generoso e bem-fazejo, porque nunca pode ter medo de vir a cair em miséria: independente de favores alheios, fará sempre justiça direita, porque nunca pôde ter precisam de comprar benevolência de outrem.
Não é assim o que é rei pela graça do povo. A incerteza da sorte que o espera é a espada de Démocles que lhe está sempre pendente sobre a cabeça. Quem sabe se o povo soberano retirará um dia ao seu Real mandatário a comissão que primeiramente lhe dera de governa-lo? Em tais circunstâncias é força que o príncipe aguarente, até se fazer miserável, todas as suas despesas; que se faça mesquinho, e até mesmo avaro; que mande para fora os capitães da nação, afim de segurar para si e para a sua família um fundo de que em todo o caso possa dispor. Se se trata de fazer justiça, quantas vezes lhe não será preciso torce-la para captar o favor de alguma personagem influente que por ser-lhe hostil, quer seja no parlamento, quer seja em assembleias populares!
Como o soberano é o primeiro interessado na prosperidade do reino que lhe pertence, deve supor-se que todas as suas leis são dirigidas a fazer a felicidade dos vassalos que governa; porque é absurdo pensar que aquele cuja glória, prosperidade e interesse nasce, prospera e cresce com o interesse, prosperidade e glória da nação a que preside, trabalhe por arruinar-se a si mesmo, arruinando os interesses do povo de que é rei. Pode não acontecer a mesma coisa, quando alguma outra autoridade, sem ser a do soberano, tem parte na formação das leis; porque tratando-se de súbditos, não são raros aqueles que procuram fazer a sua fortuna à custa da nação, cujos interesses administram." 

O autor, ao falar sobre casos de absolutismo tirânico e cruel, como no Japão ou na Turquia, atribui a culpa à falta de uma boa religião, e conclui:

"Seja porém qualquer for a ferocidade com que o absolutismo se apresentou em outras partes, é certo que nunca entre nós tomou semelhante caracter. Dos vinte cinco reinados de príncipes Portugueses que temos tido, alguns houve mais severos e rigorosos, outros mais frouxos c indolentes; mas nunca houve um só que merecesse o título de feroz e de cruel."

Nota: O Rei tem um poder absoluto sobre o estado, mas o estado não tem um poder ilimitado, como já vimos. Esse é um importante tópico a ser considerado quando se fala sobre a questão da limitação do poder do Rei, tirania, etc. O estado moderno não conhece limites, mas o estado medieval conhecia. Primeiro porque o poder era descentralizado. Assim, por exemplo, na França medieval, um Rei tinha o poder para convocar uma guerra quando quisesse, mas os exércitos pertenciam aos nobres, pelo que apesar de o Rei ter o poder para o fazer, na prática só pode convocar a guerra se os nobres concordarem. Depois, o poder é limitado pela tradição, o que rompeu com isto foi a criação do poder legislativo. O poder do estado era visto como uma aplicação da tradição, dos costumes dos povos, e da religião, e não como um poder criador, uma força movedora e progressista. Por isso, por exemplo, o serviço militar obrigatório só surgiu com a revolução francesa. Antes disso, por mais que um Rei quisesse, ele não poderia fazer isso, porque ia contra o costume (nisto também se inclui as leis fundamentais do Reino, que de certa forma também limitavam o Rei). A sociedade medieval era acima de tudo conservadora, cabia ao estado preservar e aplicar os costumes dos povos e da religião. Muito do ideal contrarrevolucionário deriva destes princípios. A Monarquia é exatamente a resposta a esta descentralização e mentalidade conservadora, é o estabelecimento de uma Autoridade capaz de criar a Unidade dos vários poderes descentralizados que uma sociedade naturalmente tem, os chamados grupos naturais, e de estabelecer a Ordem. Um Rei medieval, apesar de deter um poder absoluto sobre o estado, não sonhava em ter o poder de um Hitler ou Estaline. Foi o rompimento com esta ordem medieval que abriu portas para as maiores tiranias. O tópico da limitação do Poder durante a época medieval procuraremos desenvolver posteriormente em outros os artigos futuramente. No entanto, esta limitação natural do poder do Rei (que é consequência da limitação do poder do estado, derivada da organização natural da sociedade- grupos naturais, religião e tradição, aristocracia, etc.) ao contrário da limitação artificial a que chamam de constitucionalismo, em nada afeta a soberania do Rei e os princípios monárquicos, daí condenarmos o segundo e não o primeiro.

Considerações nossas sobre o uso do termo absolutismo:

O termo absolutismo começou por ser um ataque dos liberais contra os Miguelistas. No entanto, os miguelistas aceitaram o termo e começaram a usá-lo, como vimos no caso de José de Gama e Castro. Até que ponto está correto? Até que ponto existe uma dita Monarquia tradicional/orgânica e uma Monarquia absoluta? Na realidade, a Monarquia em Portugal foi uma até 1836. Era constituída pelo Rei, os nobres, as cortes… O ponto importante a considerar é que o Rei nunca teve limites artificiais no uso do seu poder, ou seja, sempre teve um poder absoluto sobre o estado. As cortes sempre foram consultivas. Diz-se que a Monarquia tornou-se absoluta porque os Reis deixaram de convocar as cortes. Sim, isso aconteceu, e foi uma desgraça. No entanto, sempre pertenceu à liberdade do Rei convocar as cortes ou não, pelo que na sua substância, a Monarquia não muda se o Rei decide não convocar as cortes. Neste sentido, concordamos em usar o termo absolutismo porque os Miguelistas assim o fizeram e porque defendemos o poder absoluto do Rei sobre o estado (apesar do estado não ser absoluto, mas, como já dissemos, ter limites), evitando confusão com as "monarquias" constitucionais, parlamentares, e com aqueles que em nome de uma "Monarquia orgânica" defendem que o Rei deve ser limitado pelas cortes. Além de uma falsidade histórica, é também um atentado antimonárquico. Limitar o poder do estado, sim, porque o estado moderno também é criação liberal. Limitar o poder do Rei sobre o estado, não, porque é uma invenção liberal antimonárquica: não queremos uma república coroada. 

Conclusão

Creio que conseguimos alcançar o objetivo de restaurar algumas verdades esquecidas e iluminar algumas mentes sobre os sofismas modernos que em nome de tanta coisa cegam as pessoas e não permitem que vejam a realidade como é. 

 

Miguel

 

Ad majorem Dei gloriam



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