Patriotismo, nacionalismo, tradicionalismo
O presente artigo se constitui na parte inicial, revista e ampliada, de “O nosso nacionalismo”, trabalho de nossa autoria que consta da obra “Existe um pensamento político brasileiro?” Existe, sim, Raymundo Faoro: o Integralismo!: uma nova geração analisa e interpreta o Manifesto de Outubro de 1932 de Plínio Salgado, organizada por Gumercindo Rocha Dorea e publicada em 2015 [1], e trata do nacionalismo, do patriotismo e do tradicionalismo, uma vez que o autêntico nacionalismo pressupõe o amor à Pátria e à sua Tradição, cumprindo frisar que, como ensina Martin Heidegger:
“Tudo o que é essencial e grande surgiu do fato de que o homem tinha uma pátria e estava radicado em uma tradição” [2].
Patriotismo, sentimento espontâneo e decorrente da Lei Natural, é o amor à Pátria, à Terra Patrum, Vaterland, Terra dos Pais, que é também nossa e de nossos filhos nascidos ou por nascer. Assim, parafraseando e completando Renan [3], em seu célebre aforismo sobre a Pátria, afirmamos que esta é composta dos mortos que a fundaram e consolidaram, dos vivos que a continuam hoje e daqueles que estão por nascer e a continuarão amanhã. Em uma palavra, a Pátria é o Passado, o Presente e o Futuro; o Ontem, o Hoje e o Amanhã.
Errados estão, portanto, todos aqueles que, apegados ao significado etimológico do termo, afirmam ser a Pátria somente a terra de nossos ancestrais, da mesma forma que estão errados os que a consideram somente a terra dos filhos ou, ainda, nossa e de nossos filhos.
O insigne sociólogo e pensador político patrício Alberto Torres infelizmente está entre aqueles que consideram a Pátria apenas a terra dos filhos, sustentando, em A organização nacional, que “à pátria dos pais, dos antigos, sucedeu, para o homem contemporâneo, a pátria dos filhos”, sendo a inversão do sentido de tal palavra, em seu sentir, “um dos mais belos fenômenos de progresso, na vida dos vocábulos” [4].
Isto posto, faz-se mister assinalar que Alberto Torres, que inegavelmente nos legou diversas lições admiráveis de Política, Economia e Sociologia, cometeu muitos equívocos como o acima apontado, sendo tais equívocos fruto, sem dúvida alguma, de seu desapego à Tradição, ao Passado, que, segundo ele, “em seu conjunto, representa a imperfeição” [5], cumprindo destacar que Plínio Salgado soube como ninguém, nem mesmo Oliveira Vianna, absorver as lições positivas do mestre, ao mesmo tempo em que rejeitava seus erros, sobretudo o desapego à Tradição e às bases morais de nossa formação.
Voltemos, todavia, ao conceito de Pátria. Preleciona Rui Barbosa, no célebre Discurso no Colégio Anchieta, de 1903, que esta é a “família amplificada” [6], assim a definindo pouco adiante:
A pátria não é ninguém: são todos, e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à ideia, à palavra, à associação.
A pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo: é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos nossos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade [7].
Havendo citado Rui Barbosa, julgamos oportuno assinalar que este, longe de ser o ferrenho individualista e o liberal ortodoxo de que tanto se tem falado, foi um homem que defendeu, dentre outras coisas, a Democracia Social (que não se pode confundir com a social-democracia de inspiração marxista) e a socialização do Direito, admirando o chamado “socialismo cristão” do Cardeal Mercier, a que preferimos denominar Cristianismo Social, denominação também preferida, aliás, por Alfredo Buzaid em sua esclarecedora conferência sobre Rui e a questão social, pronunciada a 02 de setembro de 1965 na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo [8].
Insta ressaltar, ademais, que Rui Barbosa morreu católico e afastado da maçonaria [9], repudiando totalmente o célebre prefácio que escrevera na mocidade, a pedido de Saldanha Marinho, para o livro O Papa e o Concílio, de Janus [10], e chegando mesmo a sair comprando os remanescentes da primeira edição de tal obra, a fim de impedir a propagação de seus erros de juventude [11].
Não podemos deixar de transcrever a admirável preleção do ínclito doutrinador tradicionalista, patriótico e nacionalista espanhol Ramiro de Maeztu y Whitney, mártir da Cruzada Espanhola de 1936/39, em sua obra Defensa de la Hispanidad, no sentido de que “a pátria é espírito”, ao que acrescenta, pouco adiante:
A pátria é um patrimônio espiritual em parte visível, porque também o espírito do homem encarna na matéria, e aí estão para atestá-lo as obras de artes plásticas: igrejas, monumentos, esculturas, pinturas, mobiliário, jardins, e as utilitárias: estradas, cidades, vivendas, plantações; mas em parte invisível, como o idioma, a música, a literatura, a tradição, as façanhas históricas, e em parte visível e invisível, alternadamente, como os costumes e os gostos. Tudo junto faz de cada pátria um tesouro de valor universal, cuja custódia corresponde a um povo [12].
. Isto posto, cabe ressaltar que o conceito de Pátria é de natureza sentimental e geográfica, do mesmo modo que o conceito de País é meramente geográfico e que o de Nação é sobretudo histórico, cultural e racional [13].
Voltando, porém, ao patriotismo, - virtuoso sentimento que nos une à nossa Terra e ao nosso Povo e que de maneira alguma pode ser confundido com o chauvinismo, o jacobinismo ou o xenofobismo – frisamos que este não exclui de modo algum o universalismo e que, como preleciona o Papa Leão XIII na Encíclica Sapientiae Christianae, é a própria Lei Natural que nos impõe o amor devotado ao país em que nascemos e crescemos [14].
Cumpre sublinhar, entretanto, que o amor à Pátria terrena não se deve sobrepor em hipótese alguma ao amor à Pátria Celeste, a quem devemos, com efeito, a nossa maior devoção.
Isto posto, passemos à definição de nacionalismo. Este é a virtude moral que nos leva a servir e defender a Nação e seus superiores interesses, sendo importante destacar que o termo Nação, conhecido desde a denominada Idade Média, deriva do verbo latino nasci, nascer, trazendo a ideia de filiação, de origem comum.
O nacionalismo, “armadura do patriotismo”, na expressão de Yves de la Brière [15], não constitui, como ensina Antonio Messineo, apenas a virtude moral que nos inclina a amar a nossa Nação, mas também “a cumprir todos os deveres, que a piedade nos impõe para com todos aqueles que nos são unidos pela identidade de origem e cultura” [16].
Não podemos deixar de consignar que, como ensina António Sardinha – inspirado poeta e brilhante líder e doutrinador do movimento tradicionalista, patriótico, nacionalista e monárquico denominado Integralismo Lusitano – o nacionalismo supõe, “em relação ao grande conjunto humano, um universalismo” [17]. Tal universalismo não pode e não deve ser confundido com o cosmopolitismo e o internacionalismo burguês, constituindo, em verdade, “o universalismo que a Idade Média professou e a que Augusto Comte rendia tão calorosas homenagens: a sociedade internacional restabelecida e restaurada sobre as únicas bases duradouras, - as da Cristandade” [18].
O nacionalismo tendente ao universalismo é aquele nacionalismo verdadeiro de que fala Plínio Salgado em Mensagem às pedras do deserto; é aquele nacionalismo cristão que, segundo o autor de Espírito da burguesia, “não deve ser nem exagerado nem superficial”, mas “equilibrado e profundo, justo e lúcido”, espelhando “a personalidade de uma Pátria, constituída pelo conjunto das personalidades congregadas no grupo nacional” [19].
O nacionalismo tendente ao universalismo é, enfim, aquele definido pelo Papa Pio XI como o “justo nacionalismo, que a reta ordem da caridade cristã não somente não desaprova, mas com regras próprias santifica e vivifica” [20].
Não poucos são aqueles que julgam que o nacionalismo surgiu com os revolucionários da chamada Revolução Francesa (que preferimos denominar Revolução Antifrancesa), havendo até alguns defensores do verdadeiro e justo nacionalismo que aceitam tal ideia. No entanto, o escritor e filósofo alemão Johann Gottfried von Herder, que nada tinha que ver com os revolucionários franceses, já empregava o termo "nacionalismo" em 1774, em página de sua obra Mais uma filosofia da história para a educação da humanidade (Auch eine Philosophie der Geschichte zur Bildung der Menschheit), em que condenou o "nacionalismo limitado" (eigenschränkten Nationalism), admitindo, evidentemente, a existência de um nacionalismo não limitado e, portanto, legítimo [21], e os chamados “revolucionários” do período viam o nacionalismo como algo negativo e não positivo. Com efeito, no final do século XVIII, o Abade Augustin Barruel revelou, na obra intitulada Memórias para servir à história do jacobinismo (Mémoires pour servir à l'histoire du jacobinisme), originalmente aparecida em quatro volumes publicados entre os anos de 1797 e 1799, uma correspondência de Adam Weishaupt a seus subordinados, em que ele ataca os partidários do “nacionalismo ou amor nacional”, opondo a estes os “partidários do amor geral”, entre os quais se encontrava, assim como os demais ditos revolucionários de seu tempo [22]. Neste mesmo documento redigido por Weishaupt e transcrito pelo Abade Barruel (que, evidentemente, condena tudo o que nele se encontra escrito), o líder dos chamados illuminati (Weishaupt) foi o primeiro a estabelecer uma distinção, hoje infelizmente repetida por muitos católicos, entre o patriotismo, visto como virtude, e o nacionalismo, compreendido como um vício [23]. Nesta mesma ordem de ideias, faz-se mister assinalar que, diversamente do que supõem muitos, os partidários da Revolução (Anti)Francesa se proclamavam patriotas e não nacionalistas e o nacionalismo não deve suas origens a tal revolução.
Assim, como bem salientou Philippe Ploncard d’Assac, “desde os seus princípios, o nacionalismo designa a reação antirrevolucionária, ao contrário do que creem alguns, que confundem o termo revolucionário ‘patriota’ com aquele de ‘nacionalista’, que os revolucionários jamais usaram para definir a sua ação” [24].
Dito isto, cumpre frisar que o termo “patriota”, embora usado pelos chamados revolucionários do século XVIII, não foi cunhado por estes e é tão legítimo quanto o vocábulo “nacionalista”, assim como vale assinalar que a palavra “patriotismo” é igualmente anterior à Revolução (Anti)Francesa, havendo sido, se não criada, ao menos popularizada pelo grande líder político e orador tory, Lord Henry St. John, primeiro Visconde de Bolingbroke no Pariato da Grã-Bretanha e primeiro Conde de Bolingbroke no Pariato Jacobita, em suas Cartas sobre o espírito do patriotismo: sobre a ideia de um rei patriota: e sobre o estado dos partidos, na ascensão do Rei Jorge I (Letters on the Spirit of Patriotism: On The Idea Of A Patriot King: And On The State Of Parties, At The Accession Of King George The First) [25].
Como fez sublinhar o pensador tradicionalista brasileiro José Pedro Galvão de Sousa, defensor do justo nacionalismo, nos tempos de Santa Joana d’Arc já havia em França “um sentimento nacional” [26] e,
Na sua genuína significação (...), anterior à Revolução Francesa – na linguagem de Bossuet em seu discurso na discurso na recepção na Academia, referindo-se à glória da nação, ou na pena de Barruel, em suas “Memórias para Servir à História do Jacobinismo”, opondo-o ao cosmopolitismo do século XVIII - , o nacionalismo é uma complementação lógica e necessária do patriotismo, é a armadura do patriotismo, segundo a feliz expressão de Yves de la Brière, é o próprio patriotismo vigilante e atuante, é a defesa dos legítimos interesses nacionais contra as ameaças internas e externas de dissolução da pátria [27].
A Nação, conceito eminentemente histórico, cultural e racional, conforme dissemos há pouco, é caracterizada, antes e acima de tudo, por sua Tradição, que diferencia seu povo em relação aos demais povos do Orbe Terrestre, forjando o caráter da personalidade nacional.
Formada por seus filhos e pelos Grupos Naturais a que estes pertencem e nos quais exercem melhor seus deveres e direitos, a Nação é uma entidade inconfundível, um organismo dotado de fórmula sociológica, vocação e modo de vida próprios, decorrentes de sua formação histórica e social, de seu Passado e Tradição integrais, como aprendemos nas lições de Burke, do Conde Joseph de Maistre, do Visconde Louis de Bonald, de Möser, Novalis, Adam Müller, Savigny, Ranke, Oliveira Vianna, Plínio Salgado e muitos mais.
A Nação é – como ensina Plínio Salgado – uma continuidade histórica, no Passado, no Presente e no Porvir, um “patrimônio territorial no espaço geográfico”, uma realidade social, uma expressão moral, como conjunto de pessoas, famílias, sindicatos, corporações, municípios [28]. “É a unidade humana diferenciada pelo meio físico, pela estrutura étnica, pelos índices culturais, pelo idioma, pelo temperamento e vocação de um povo”, podendo faltar-lhe um ou mesmo mais de um de tais elementos, como a unidade lingüística ou étnica, mas jamais “aquele espírito de grupo a que se refere Durkheim, com certo exagero, mas que nós podemos aceitar nos seus próprios limites” [29].
Não concordamos de forma alguma com René Guénon no que respeita à ideia de Nação. Enquanto o autor de A crise do Mundo Moderno condena tal conceito, vendo, com efeito, a formação das nações, das nacionalidades como um aspecto da desagregação da Cristandade [30] e, mais do que isto, como “o meio utilizado para se destruir a organização social tradicional do Medievo” [31], nós outros vemos a ideia de Nação como tradicional e defendemos a existência de uma Tradição Nacional. Concordamos, pois, com Marcello Veneziani, para quem a defesa da Identidade Nacional e da Tradição Nacional, longe de ser “uma negação da ideia de Tradição”, é como que “um defender a tradição e a identidade de um povo da erradicação e do cosmopolitismo, da colonização e da globalização” [32].
A Nação – voltando à lição de Plínio Salgado – é “consciência de Tradição, de Atitude e de Destino histórico” [33], exprimindo-se politicamente numa personalidade coletiva, que tem consciência de onde veio, de onde está e de para onde deve ir [34]. No mesmo sentido, pondera Gustavo Barroso que a Nação “é a continuidade física e moral das gerações unidas pela experiência e pela sucessão dos fatos através dos séculos” [35].
O nacionalismo pressupõe, portanto, não apenas o patriotismo, mas também o tradicionalismo, isto é, a defesa da Tradição Integral que recebemos de nossos maiores e que temos a missão de entregar, de transmitir a nossos descendentes. Este tradicionalismo não se confunde com o passadismo ou o mero conservantismo, sendo, ao contrário, a continuidade no progresso e, por conseguinte, o único e verdadeiro progressismo, visto que as nações que perdem o sentido de sua Tradição, de sua História, de seu Passado Integral, não conseguem ser grandes no Presente e nem no Futuro e o único progresso efetivo é aquele fundamentado na Tradição. Esta, em latim Traditio, de tradere (entregar), é a transmissão, a entrega constante, através das sucessivas gerações, de um patrimônio de valores comuns, mantidos em sua essência, corrigidos sempre que necessário e incessantemente aprimorados [36], representando, nas palavras de António Sardinha, a “continuidade no desenvolvimento” e a “permanência na renovação” [37]. Algures definida por nós, em paráfrase a José de Alencar, como a “arca veneranda da sabedoria de nossos maiores, consolidada pelos séculos e apurada pelas gerações” [38], a Tradição não é todo o Passado, mas tão somente aquela porção do Passado que, na frase de Víctor Pradera, “qualifica suficientemente os fundamentos doutrinais da vida humana de relação”, isto é, “o passado que sobrevive e tem virtude para fazer-se futuro” [39] ou, no dizer de Plínio Salgado, o “Passado Vivo” [40] ou, ainda, nas palavras de Ribeiro Couto, o “Passado que é presente e que é futuro” [41].
Assim, como observa Michele Federico Sciacca,
Uma consciência autenticamente cristã não pode colocar-se em ruptura nem em face da tradição, como o faz a revolução, nem em face do progresso, como o faz o conservadorismo. Põe-se em posição dialética em face de um e em face de outro, isto é, adota a posição justa de conservar renovando e renovar conservando, que é a dialética ou a relação que une a tradição e o progresso, porque não há progresso verdadeiro ou construtivo sem tradição e não há tradição viva e operante sem progresso; mais, a tradição, como tal, é a essência do progresso, movimento, renovação [42].
Consoante sustenta Giovanni Gentile, a Tradição de um povo constitui a sua paternidade e que a rejeição da mesma relegaria os povos ao primitivismo de uma vida absolutamente rudimentar, sem memória e sem arte [43] e, conforme bem salienta Tasso da Silveira, “todos os grandes povos cultuam a tradição” [44]. Pode-se dizer mesmo, aliás, que dá um povo a medida de sua grandeza no respeito que vota à sua Tradição e ao seu Passado [45]. O Passado é, com efeito, “a revelação de nossa alma, da nossa vocação” e cultuá-lo “é cumprir um dever para com o nosso próprio destino”, e nos traços que surpresos miramos nas páginas de nossa Tradição, “encontramos todos os caminhos que devemos seguir no presente e no futuro” [46].
A Tradição é “a medula dos povos” [47] e uma Nação que rejeita o seu Passado Vivo, isto é, a sua Tradição, é uma Nação sem futuro, uma Nação sem porvir. Daí Alfredo Pimenta afirmar que “Nação que rejeita a Tradição é Nação que se suicida, que se nega a si própria” [48].
Herder define a Tradição como a “cadeia sagrada que liga os homens ao passado e que conserva e transmite tudo o que foi feito por aqueles que os precederam” [49].
Julius Evola, mestre do chamado Tradicionalismo Integral que infelizmente jamais compreendeu a verdadeira essência do Cristianismo, observa que, após a queda da Civilização Medieval, a força da Tradição passou do visível ao invisível, tornando-se uma hereditariedade que se transmite em uma secreta cadeia que une poucos a poucos [50]
Embora no Mundo Moderno e Contemporâneo os valores tradicionais tenham inegavelmente perdido força e os Estados tenham deixado de ser governados pela Tradição, esta – ao contrário do que afirma o autor de Revolta contra o Mundo Moderno – nunca se tornou invisível e jamais passou à condição de cadeia secreta que une poucos a poucos. Com efeito, a Tradição sempre permaneceu e permanecerá como uma cadeia a um só tempo visível e invisível que liga muitos a muitos, sendo tradicionalista a maior parte da população de qualquer país da Terra.
É nosso dever despertar esta maioria silenciosa e lutar contra as ideias inautênticas do Mundo Moderno e Contemporâneo – Mundo da ditadura do ouro, da máquina, da técnica, do número, do capital especulativo, ou, numa palavra, Mundo da Matéria sobre o Espírito, da Burguesia sobre a Nobreza, entendidas estas últimas não como classes sociais, mas sim como estados de espírito -, restaurando o Primado da Tradição, cadeia sagrada que nos liga a nossos maiores e aos nossos descendentes e patrimônio que devemos legar, aprimorado, a nossos filhos nascidos ou por nascer.
Victor Emmanuel
Ad majorem Dei gloriam
Notas:
[1] “O nosso nacionalismo”. In: DOREA, Gumercindo Rocha (Organizador). “Existe um pensamento político brasileiro?” Existe, sim, Raymundo Faoro: o Integralismo!: uma nova geração analisa e interpreta o Manifesto de Outubro de 1932 de Plínio Salgado. São Paulo: Edições GRD, 2015, pp.69-104.
[2] Ormai solo un dio ci si può salvare. Intervista con lo “Spiegel”. Tradução italiana de A. Marini. Parma: Guanda, 1987, p. 135.
[3] Citamos de memória.
[4] A organização nacional. Primeira parte: a Constituição. 3ª edição. São Paulo: Editora Nacional, 1978, p. 112.
[5] Idem, p. 198.
[6] Discurso no Colégio Anchieta. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1981, p. 7.
[7] Idem, p. 8.
[8] BUZAID, Alfredo. Rui e a questão social. In BUZAID, Alfredo. Rui Barbosa processualista civil e outros estudos. São Paulo: Editora Saraiva, 1989, p. 99.
[9] Cf. NOGUEIRA, Rubem. História de Ruy Barbosa. 2ª edição. Salvador: Livraria Progresso Editora, 1957, pp. 34-36.
[10] Cf. LIMA, Alceu Amoroso. (Tristão de Athayde). Estudos. Quinta série. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, S. A., 1933, p. 232.
[11] Idem, p. 233.
[12] Defensa de la Hispanidad. 2ª edição. Madri: Ediciones Fax, 1935, p. 232.
[13] Cf. SALGADO, Plínio. Direitos e deveres do Homem. 1ª edição. Rio de Janeiro: Livraria Clássica Brasileira, 1950, pp. 131-132.
[14] Leão XIII. Encíclica Sapientiae Christianae, dada em Roma a 10 de janeiro de 1890. Disponível (em inglês) em: https://www.vatican.va/content/leo-xiii/la/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_10011890_sapientiae-christianae.html. Acesso em 1º de outubro de 2023.
[15] Quels sont nos devirs envers la cité?. Paris: Editions Flammarion, 1930, p. 62.
[16] La Nazione. Roma: La Civiltà Cattolica, 1944, p. 144.
[17] Ao princípio era o verbo. 2ª edição. Lisboa: Editorial Restauração, 1959, p. 12.
[18] Idem, loc. cit.
[19] Mensagem às pedras do deserto. 3ª edição. In: Obras Completas. 2ª edição. Volume XV. São Paulo: Editora das Américas, 1959, p. 341.
[20] Carta Encíclica Caritate Christi Compulsi, dada em Roma aos 3 de maio de 1932. Disponível em: http://www.vatican.va/content/pius-xi/la/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_19320503_caritate-christi-compulsi.html. Cumpre salientar que a expressão “Nationem pietatis sensus” foi vertida como “nacionalismo” em diversas traduções da Encíclica Caritate Christi Compulsi, a exemplo da italiana transcrita no portal do Vaticano (disponível em: https://www.vatican.va/content/pius-xi/it/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_19320503_caritate-christi-compulsi.html. Acesso em 1º de outubro de 2023) e da brasileira enfeixada no volume Documentos de Pio XI, da série Documentos da Igreja, da editora Paulus (Carta Encíclica Caritate Christi Compulsi, dada em Roma aos 3 de maio de 1932. In: Documentos de Pio XI. Tradução de Darci Marin. São Paulo: Paulus, 2004, p. 407).
[21] Auch eine Philosophie der Geschichte zur Bildung der Menschheit. 1ª edição. Riga: s. n., 1774, p. 58.
[22] WEISHAUPT, Adam apud BARRUEL, Abade Augustin. Mémoires pour servir à l'histoire du jacobinisme. Obra abreviada por E. Perrenet. Paris: La Renaissance Française, 1911, p. 251.
[23] Idem, loc. cit.
[24] A passagem citada e por nós traduzida se trata de um trecho de uma conferência de Philippe Ploncard d’Assac publicada em Lecture et Tradition - Bulletin Littéraire Contrerévolutionnaire, nº 349, Paris, mar. de 2006, e que foi transcrito no blogue português A Casa de Sarto (“O Padre Augustin Barruel, S.J. e a origem do termo ‘nacionalismo’”. Tradução nossa. Disponível em: http://casadesarto.blogspot.com/2006/07/o-padre-augustin-barruel-sj-e-origem.html. Acesso em 1º de outubro de 2023).
[25] Letters on the Spirit of Patriotism: On The Idea Of A Patriot King: And On The State Of Parties, At The Accession Of King George The First. London: A. Millar, MDCCXLIX (1749).
[26] “Patriotismo e nacionalismo: Nacionalismo, uma doutrina para as Américas”. In: Hora Presente, Ano VIII, Nº 22, Dez. de 1976, p. 88.
[27] Idem, p. 90.
[28] Direitos e deveres do Homem, cit., p. 119.
[29] Idem, loc. cit.
[30] La crisi del Mondo Moderno. Tradução italiana e introdução de Julius Evola. Roma: Edizioni Mediteranee, 2003, p. 45.
[31] Il Regno della Quantità e i segni dei tempi. Tradução italiana de Tullio Masera e Pietro Nutrizio. Milão: Gli Adelphi, 2009, p. 208.
[32] De pai para filho: Elogio da Tradição. Tradução de Orlando Soares Moreira. São Paulo: Edições Loyola, 2005, p. 130.
[33] Direitos e deveres do Homem, cit., p. 123.
[34] Idem, p. 122.
[35] História Militar do Brasil. 1ª edição. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1935, p. 119.
[36] Cf. SOUSA, José Pedro Galvão de; GARCIA, Clovis Lema; CARVALHO, José Fraga Teixeira de.Dicionário de Política. 1ª edição. São Paulo: T.A. Queiroz, 1998, p. 533; BARBUY, Victor Emanuel Vilela. “O nosso nacionalismo”, cit., p. 76.
[37] Ao princípio era o Verbo, cit., p. 10.
[38] “Idealismo utópico e idealismo orgânico em Oliveira Vianna”. In Revista de Geopolítica, Volume 9, N. 2, jul./dez. 2018, p. 166. O trecho de José de Alencar por nós parafraseado se encontra em: A propriedade. Prefação do Conselheiro Dr. Antônio Joaquim Ribas. Rio de Janeiro: B. L. Garnier – Livreiro-Editor, 1883, p. 2.
[39] O Novo Estado. Tradução portuguesa. Lisboa: Edições Gama, 1947, p. 15.
[40] O ritmo da História, 3ª edição (em verdade 4ª). São Paulo: Voz do Oeste; Brasília: INL (Instituto Nacional do Livro), 1978, p. 205.
[41] Entre mar e rio. 3ª edição. In: Poesias reunidas. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1960, p. 446. Tais palavras se encontram no soneto “Adeus à Rua Castilho”, um dos mais belos e célebres de Ribeiro Couto.
[42] “Revolución, Conservadorismo, Tradición”. In Verbo, nº 123, Madrid, mar. de 1974, p. 283. Tradução nossa. Cumpre assinalar que em tal passagem o termo “revolução” possui o sentido moderno e antitradicional, e não o sentido tradicional e astronômico de “restauração”, de retorno às origens, de volta ao ponto de partida. Sobre essas duas diversas acepções do termo “revolução”: BARBUY, Victor Emanuel Vilela. “Tradição e Revolução”. Disponível em: https://integralismo.org.br/doutrina/tradicao-e-revolucao/. Acesso em 1º de outubro de 2023.
[43] “La tradizione italiana”. In: Frammenti di estetica e di teoria della storia. Volume II. Firenze: Le Lettere, 1992, pp. 97-98.
[44] Alegria criadora (ensaios: 1922-1925). Rio de Janeiro: Edição do Annuario do Brasil, 1928, p. 215.
[45] Idem, loc. cit.
[46] Idem, loc. cit.
[47] Cf. ELÍAS DE TEJADA, Francisco. “La lección política de Navarra”. In: Reconquista, Ano I, Vol. I, n. 2, São Paulo, 1950, p. 127. Tradução nossa.
[48] In: CAMPOS, Fernando (Organizador). Os nossos mestres ou Breviário da Contra-revolução: juízos e depoimentos. Lisboa: Portugália Editora, 1924, p. 147.
[49] Apud VENEZIANI, Marcello. De pai para filho: Elogio da Tradição, cit., p. 113.
[50] EVOLA, Julius. Heidnischer Imperialismus. II edição italiana revisada com Imperialismo pagano. Roma: Edizioni Mediteranee, 2004, p. 197.

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