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Ensaio sobre o pensamento contrarrevolucionário e o pensamento fascista, apresentação de cada um e comparação dos dois, por António José de Brito

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  António José de Brito foi um grande conhecedor do pensamento contrarrevolucionário e do pensamento fascista. Por isso, é obviamente de se aproveitar aquilo que nos tem a ensinar sobre os dois, principalmente em tempos em que o termo fascismo é usado de forma tão disparatada... "Fascismo isto, fascismo aquilo", chama-se a tudo de fascismo hoje em dia. Chama-se de fascista a membros de partidos políticos, que o fascismo repudiava; a liberais democráticos, que o fascismo repudiava; e por ai vai. Com certeza, se conhecessem o pensamento contrarrevolucionário, anti-liberal, autoritário, etc, também o chamariam de fascista. Chamar de fascista a alguém, hoje em dia, é mais uma técnica popular para causar repúdio por alguém na plateia, é um apelo sentimental. No entanto, como diz José Hermano Saraiva "Não podemos usar em história essas linguagens figuradas, populistas", temos de usar as palavras no "seu exato sentido". E por isso, para sarar dúvidas, aprendamos ...

Pio VI, Pio VII, a revolução francesa e os princípios liberais: os primeiros confrontos da Igreja com a modernidade

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Introdução Depois de Constantino, através do Édito de Tessalónica, ter oficializado o Cristianismo como a religião de Estado do Império Romano, a Igreja começou a adquirir um poder temporal de cada vez maior, chegando a tornar-se, na Baixa Idade Média, a principal força actuante na sociedade. Devido a esta homogeneidade da Igreja, Roma nunca sentiu, no período da Cristandade, a necessidade de propor, através de documentos, princípios reguladores à atividade política, já que as decisões dos monarcas tinham de se submeter, permanentemente, à autoridade da Igreja e do Vigário de Cristo. O Papado não precisava de formular propostas teóricas à atividade política, pois o seu interesse predominante era o de intervir na atividade política na prática (afinal, Cristo não deu a Pedro apenas as chaves do Céu, mas também as da Terra – ao Papa foi confiado poder espiritual, mas também temporal). Após a Revolução Francesa, a hegemonia do Vaticano começou a ser substituída pela hegemonia dos estados l...

Uma luz medieval sobre as relações entre a Igreja e o estado

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Certamente não poderemos contar estes textos como explicações da Doutrina Social da Igreja em sentido estrito. Escritos num estilo de metáfora tradicional medieval, não são explicações teóricas longas, mas meras luzes que apontam o caminho a seguir.  «Há dois poderes, Augusto imperador, através dos quais se governa o mundo: a autoridade sagrada dos Pontífices e o poder real. Destes dois, é mais grave o peso dos sacerdotes, pois estes deverão prestar contas na ocasião do julgamento divino, inclusive pelos próprios reis da humanidade. Na verdade, tu sabes, filho clementíssimo, que em razão de tua dignidade, és o primeiro de todos os homens e o Imperador do mundo; todavia sê submisso aos representantes da religião e suplica-lhes o que é indispensável para a tua salvação. Com efeito, no que se refere à administração dos sacramentos e à disposição das coisas sagradas, reconhece que deves submeter-te à sua orientação e não seres tu quem deva governá-lo, e assim nas coisas da religião dev...