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Estudos Miguelistas: Marquês de Penalva e a defesa da Monarquia (Parte 1: a defesa da Monarquia a priori)

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No tempo em que o antigo regime começava a cair em muitos países, e a ser ameaçado em Portugal, algumas vozes lembravam ao nosso povo os motivos da sua existência. Hoje trazemos aqui uma apresentação do livro que inaugurou, em Portugal, o combate contra o liberalismo em defesa da contrarrevolução. O livro trata especialmente da defesa da Monarquia mas também do antigo regime de um modo geral.  A  "Dissertação a favor da Monarquia" tem por intenção, segundo o próprio autor (o Marquês de Penalva) "provar que a Monarquia é o melhor de todos os governos, e que os nossos Reis são os mais absolutos, e legítimos Senhores de seus Reinos", absolutos, como o autor explica, "não quer dizer um poder despótico, que ofende a razão, e que eles mesmos (os Reis) repudiaram, entende-se este absoluto poder pela extensão, e independência da sua jurisdição verdadeiramente Real." Sendo que "estas duas verdades têm, ainda que não o pareça, recíproca dependência, e a maior c...

Estudos para uma economia tradicionalista: Noções históricas (Parte 1: da criação da Cristandade e o seu fundamento económico)

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  Introdução Todas as visões económicas dos tempos modernos se baseiam em visões materialistas que reduzem a felicidade do homem a um bem-estar material, ignorando toda a complexidade do homem. Vêem a sociedade como tendo um único fim: o progresso económico, que trará a felicidade do homem.   Como tal, vêem também a economia como o mais importante na sociedade, como a sua base, à qual todas as outras componentes se sujeitam. O primeiro ponto que difere a economia tradicionalista e católica é exatamente esse. Tendo os católicos a consciência de que o homem tem uma alma, de que a sua felicidade não é só material e de que ele tem como fim a vida eterna, a economia não pode ser algo meramente materialista e muito menos a sociedade, mas deve ser algo que serve o homem e a sociedade na sua totalidade. Com isso em mente, criou a Igreja noutros tempos uma economia e uma sociedade realmente humana.  Para entender as visões tradicionalistas e católicas da economia, um primeiro pont...

Ensaio sobre a Monarquia Tradicional

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Consideramos a Monarquia Tradicional, tal como existiu um dia na França dos Estados Gerais, no Portugal e na Espanha das Cortes, na Inglaterra do Parlamento e na Alemanha da Dieta, a mais perfeita dentre as formas de governo. Julgamos, portanto, que o Príncipe deve reinar e governar, tendo, porém, seu poder concretamente limitado pelas Assembleias. A estas, constituídas pelos representantes eleitos dos Corpos Intermediários, dos Grupos Naturais componentes da Sociedade, deve caber a administração dos negócios do Estado. Estamos, pois, de acordo com Santo Tomás de Aquino, que, em Do governo dos príncipes, tendo em vista tal tipo de Monarquia, a denominada Monarquia Temperada, afirma ser a Monarquia, isto é, o governo justo de um só, a melhor das formas de governo [1], ressaltando que “as províncias e cidades governadas por um só rei, gozam de paz, florescem na justiça e alegram-se com a opulência” [2]. Ainda na referida obra, pondera o Aquinense que a Monarquia, ainda quando decaída, é ...

Gregório XVI: uma voz que clama no deserto

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Introdução Um homem que vagueia por um deserto anda constantemente à procura de algo: água, comida… Assim também a sociedade depois da revolução francesa se tornou um deserto. Os homens andam sempre desesperados à procura de uma nova teoria para abraçar e uma nova inovação que possam idolatrar. Mas, tal como há também há dois mil anos surgiu uma "voz que clama no deserto" (João 1:23), assim também na nossa sociedade surgem homens que clamam neste deserto. E porque clamam essas vozes? Cristo! Ao longo dos tempos vão surgindo novas mudanças, novas teorias e ideologias, mas na Igreja vão surgindo homens que gritam ao mundo: Cristo! O mundo procura por novas ilusões e a Igreja relembra: Cristo! Vimos como quando o mundo se revoltou contra Deus, na revolução francesa, o Papa gritou: "Cristo! Vimos também como o intuito da Doutrina Social da Igreja é exatamente lembrar aos homens que eles e as suas sociedades não podem viver sem Cristo. Gregório XVI foi sem dúvida um homem que...